O Bicho Homem – Francisco Carvalho

Que bicho é o homem
de onde ele veio
para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?

Que raio lhe acende
a chama da fúria?
O que é que sobra
da cesta básica
de sua penúria?

Que bicho é o homem
do que se enfeita?
Que mão o ampara
no chão de enigmas
em que se deita?

Que bicho é o homem
que mama no seio
da reminiscência?
E que embala a morte
em seu devaneio?

Que bicho é esse
que carrega o fardo
de uma dor medonha?
Que sucumbe ao charco
mas ainda sonha?

Que bicho vagueia
na treva hedionda?
Que pantera esguia
será mais veloz
do que a própria sombra?

O homem que tece
as malhas da lei.
Que bicho é o homem
que transforma em pêssegos
as fezes do rei?

Que bicho é o homem
que ama e desama
que afaga e magoa?
E que às vezes lembra
um anjo em pessoa?

O homem que vai
para a eternidade
num saco de lixo.
Que bicho é o homem
de salário fixo?

Que bicho é o homem
que trapaceia?
Que às vezes pensa
Que é mais brilhante
do que a papa-ceia?

Que bicho é esse
que escreve as vogais
das cinzas do pai?
— De onde ele veio
e para onde vai?

Que bicho é o homem
que se interroga?
léguas de volúpia
sonhos e utopias
tudo se evapora?

Que bicho é o homem
de argila e colostro
que lavra e semeia?
mas só colhe insônias
em lavoura alheia?

Os rastros do homem
no vento ou na água
são rastros de fera.
Mas que bicho é esse
que se dilacera?

O homem suplica
os deuses concedem.
Que bicho é o homem
que sempre regressa
às praias do Éden?

Que bicho é o homem
que escreve poemas
na aurora agônica
e depois acende
a fogueira atômica?

Que bicho te oferta
um ramo de rimas
e à sombra dos mortos
semeia gemidos
por sete Hiroximas?

Que bicho te espreita
aos olhos dos becos
onde os cães insones
mastigam as sombras
dos antigos donos?

Que bicho é o homem
que rasteja e voa
que se ergue e cai?
— De onde ele veio
e para onde vai?

Que bicho é o homem
de onde ele veio
e para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?

Francisco Carvalho

TRÍPTIPO

I

tudo o que possuis
a alma, o pomar da lascívia

a fome de palavras
a sede de volúpia

a sentença lavrada
na poeira dos arquivos:

tudo cabe, poeta,
dentro de uma gaveta.

II

o olho da serpente
passeia na treva
o seu fulgor breve

lambe o odor da presa
entre folhas mortas

mastiga as horas
e uma ceia de besouros.

III

somos apanhados
numa teia de mitos

nada sabemos da alma
e do logaritmo binário

entre conchas e búzios
baionetas e obuses

a esfinge nos espreita
nos decifra e devora.

Poesia sobre Amizade Verdadeira

Amizade

Muitas pessoas irão entrar e sair da sua vida
mas somente verdadeiros amigos deixarão pegadas no seu
coração.

Para lidar consigo mesmo, use a cabeça,
para lidar como os outros, use o coração,
raiva é a única palavra de perigo.

Se alguém te traiu uma vez, a culpa é dele;
Se alguém te trai duas vezes, a culpa é sua.

Quem perde dinheiro, perde muito,
Quem perde um amigo, perde mais.
Quem perde a fé, perde tudo.

Jovens bonitos são acidentes da natureza:
Velhos bonitos são obras de arte.

Aprenda também com o erro dos outros,
você não vive tempo suficiente para cometer
todos os erros.

Amigos você e eu…
Você trouxe outro amigo…
Agora somos três…
Nós começamos um grupo…

Nosso círculo de amigos…
E como um círculo,
não tem começo nem fim…

Ontem é história:
Amanhã é mistério,
Hoje uma dádiva,

É por isso que é chamado presente…